Fechamento do Estreito de Ormuz já parou 170 navios e 150 petroleiros. Indiretamente, a China é a grande prejudicada. (Bombardeios, até aqui, podem causar reflexos como os produzidos pela queda da União Soviética)
Segunda 02/03/26 - 6h42O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz após os ataques deste fim de semana expôs a vulnerabilidade energética da China.
Por esse corredor, considerado o mais importante do planeta, passam cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia — o equivalente a 20% de toda a demanda global .
Desse total, aproximadamente 75% seguem para os mercados asiáticos, com a China absorvendo sozinha metade de todo o petróleo que cruza o estreito .
Pequim importa atualmente cerca de 1,38 milhão de barris diários do Irã, o que representa mais de 80% das exportações marítimas iranianas e 13,4% do total das importações chinesas por via marítima .
Somando as compras da Venezuela, também afetada pela queda de Nicolás Maduro em janeiro, os dois países respondem por cerca de 15% do petróleo que abastece a economia chinesa .
A estratégia de Pequim nos últimos anos foi justamente comprar petróleo barato de países sob sanções ocidentais para manter a competitividade de sua indústria. .
Com o bloqueio, esse fluxo está seriamente ameaçado.
Analistas repetem que os ataques coordenados por Estados Unidos e Israel não miraram apenas instalações militares iranianas, mas também a principal fonte de suprimento energético da segunda maior economia do mundo .
O fechamento prolongado do estreito pode forçar a China a buscar alternativas mais caras em um mercado global já apertado, com impacto direto sobre seus custos de produção e inflação.
A reação chinesa, até agora, foi comedida.
O ministro das Relações Exteriores classificou o assassinato de líderes de nações soberanas como "inaceitável", mas evitou mencionar diretamente os Estados Unidos, num aceno à visita de Donald Trump a Pequim prevista para abril .
170 navios porta-contêineres e pelo menos 150 petroleiros estão parados dentro do Golfo ou esperando do lado de fora, com seguros disparando e rotas marítimas sendo desviadas .


